História

O concelho de Tábua é muito antigo, ignorando-se, porém, ao certo, a data da sua criação. A esta não se encontra qualquer referência, nem nas preciosas informações fornecidas pelo Sr. Dr. Augusto de Matos Cid, erudito incansável e competentíssimo inves­tigador das antiguidades da Beira, nem nos minucio­sos apontamentos do Sr. José Teles Corte-Real, ex-Presidente da Câmara de Tábua, nem ainda nos escas­sos documentos existentes no arquivo da Câmara Muni­cipal, que não vão além do principio do século XVIII.

É sabido que D. Teresa doou as Terras de Taboa a D. Payo Guiterre, filho de D. Guiterre, que tinha acompanhado o Conde D. Henrique à Península Ibérica, em recompensa dos seus feitos de armas contra os sar­racenos.

D. Payo veio a ser o tronco da nobre linhagem dos Cunhas e nesta família se conservou até ao século XVIII o Morgadio de Taboa, com direito de padroado na Igreja de Santa Maria Maior, sede da freguesia.

No tempo de D. João III, a sede do concelho era a Silhada, minúscula povoação, de seis fogos ape­nas, e que hoje constitui um pequeno bairro da Vila.

Em 1700, já aparece o nome do concelho de Ta­boa ou Tavoa.

Em 1721, a sede tinha mudado para Alvarelhos, também pequeno agregado de poucos fogos ou vizi­nhos , que aparece com o nome de Alvarelhos de Ta­boa, e que hoje, já perdido o nome, constitui um pequeno bairro situado no centro da Vila.

O concelho de Taboa manteve-se por todo o sécu­lo XVIII, tendo, pelo Decreto n.º 23 de 16 de Maio de 1832, ficado a pertencer à sub-prefeitura da co­marca de Coimbra.

Pela lei de 25 de Abril de 1835 e pelo decreto de 25 de Julho do mesmo ano, que criaram os Gover­nos Civis, ficou pertencendo ao número dos 72 con­celhos que constituíram então o distrito de Coim­bra.

Pelos decretos de 6 de Novembro e de 31 de De­zembro de 1836, ficou incluído no número dos 32 concelhos pertencentes à Administração Geral de Co­imbra , (nome que então foi dado ao Governo Civil).

A lei de 29 de Outubro de 1840 e o decreto de 18 de Março de 1842 que restituíram o nome aos Go­vernos Civis e criaram Administradores do Concelho de nomeação régia, mantiveram o concelho de Taboa, que até hoje tem sido conservado com as alterações na sua área que se seguem:

Em 1794, ainda era formado apenas pelas fregue­sias de Santa Maria Maior (sede) e S. João da Boa Vista.

De 1814 a 1853, inclusive, já faziam parte do concelho de Taboa as freguesias de Ázere (antigo concelho), Sinde (antigo concelho), Carapinha, Santa Maria Maior (sede) e S. João da Boa Vista.

Em 31 de Dezembro de 1853, foram extintos os concelhos de Midões e Farinha Podre e incorporados no de Taboa.

No ano de 1854, ficou o concelho constituído por 17 freguesias: Ázere, Candosa, Carapinha, Covas, Covelo. Farinha Podre, Midões, Oliveira do Cunhedo, Oliveirinha, Paradela, Póvoa, S. Martinho, S. Paio, S. João da Boa Vista, Sinde, Travanca de Farinha Po­dre e Taboa.

Em 1855, foram desanexadas do concelho de Arganil e anexadas ao de Taboa as freguesias de Espariz, Meda de Mouros,  Mouronho e Pinheiro, e desanexadas do de Taboa as de Farinha Podre, Oliveira do Cunhe­do, Paradela, S. Martinho e Travanca de Farinha Po­dre, ficando, assim, desde 1855 até 7 de Setembro de 1895, o concelho de Taboa constituído pelas 16 seguintes freguesias: Ázere, Candosa, Carapinha, Co­vas, Covelo, Espariz, Meda de Mouros, Midões, Mou­ronho, Pinheiro, Póvoa de Midões, S. João da Boa Vista, S. Paio, Sinde, Oliveirinha e Taboa.

Em 7 de Setembro de 1895 foram anexados ao con­celho de Taboa as freguesias de Paradela, (que era do de Arganil), S. Pedro d'Alva (antiga Farinha Po­dre) e Travanca, (que eram do de Penacova), ficando então o concelho formado por 19 freguesias.

Finalmente, em 13 de Janeiro de 1898, foram desanexadas do concelho de Taboa as freguesias de Para­dela, S. Pedro d'Alva e Travanca, que tinham sido incorporadas neste concelho em 7 de Setembro de 1895, como se disse, e ainda a de S. Paio, que desde 1853 já pertencia ao concelho, ficando a sua área reduzida à das 15 freguesias restantes que ainda hoje conserva.

Desde 1900 até ao presente não foram criadas nem extintas quaisquer freguesias nem alteradas as áreas das existentes, que são, portanto, as seguintes:

Ázere, Candosa, Carapinha, Covas, Covelo, Espariz, Meda de Mouros, Midões, Mouronho, Pinheiro de Coja, Póvoa de Midões, S. João da Boa Vista, Sinde, Vila Nova de Oliveirinha e Tábua.

De referir ainda que também Candosa foi conce­lho, extinto antes de 1840 e incorporado no de Midões, que, por sua vez, veio, em 1953, a ser incorporado no de Tábua.

Atualmente o feriado municipal do concelho é a 10 de Abril, data em que foi restaurada a sua sempre pretendida Comarca, fixada aqui e agora de­finitivamente, após a recente inauguração do majes­toso Palácio da Justiça, legitimo anseio de muitas gerações.

Na parte alta da Vila ergue-se, como autêntico "ex-libris" da mesma, de forma octogonal e feição joanina, a Capela de Nosso Senhor dos Milagres, e não de Nossa Senhora dos Milagres, como, por er­ro, algumas enciclopédias teimam em fazer crer, embora nela exista uma bela e muito venerada ima­gem de Nossa Senhora das Dores.

A Vila cresceu extraordinariamente e desenvol­veu-se muitíssimo nos últimos anos, mercê de um forte surto de progresso, que se mantém ainda, prevendo-se que tenha presentemente à volta de 5 000 habitantes.

Airosa e moderna, no seu conjunto, situa-se na margem esquerda do Mondego, talvez, por ora, a uns escassos 2 quilómetros do rio.

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